O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou um ultimato ao Hamas na tarde desta quinta-feira (16), colocando o cessar-fogo em Gaza novamente sob tensão. O republicano afirmou que Israel poderá retomar os combates caso o grupo extremista não cumpra os termos do acordo de paz.
“Se o Hamas continuar a matar pessoas em Gaza, o que não era o acordo, não teremos escolha a não ser entrar e matá-los. Agradecemos a sua atenção a este assunto”, disse Trump, em tom que mistura ameaça e sarcasmo diplomático.

O acordo que cambaleia
O cessar-fogo, mediado pelos EUA, previa o desarmamento do Hamas e a entrega dos corpos dos reféns israelenses. Mas, dias após o início da trégua, vídeos de execuções públicas voltaram a circular nas redes sociais — e reacenderam o clima de guerra.
As imagens, verificadas pela BBC, mostram homens ajoelhados, vendados e desarmados sendo baleados em plena rua na Cidade de Gaza. As execuções foram transmitidas pelo canal al-Aqsa, ligado ao Hamas, e confirmadas por agências internacionais.
Segundo a RFI, as vítimas eram membros de clãs rivais, acusados pelo Hamas de colaborar com Israel. A Autoridade Palestina chamou as ações de “crimes hediondos” e denunciou execuções “fora da estrutura da lei e sem julgamento justo”.
Clãs, caos e poder
O vácuo político na Faixa de Gaza, aberto após dois anos de guerra, deu espaço a clãs armados que agora disputam território e influência.
Entre eles, o poderoso clã Doghmosh, envolvido em combates recentes com o Hamas, e o grupo Abu Shabab, que domina parte do sul de Gaza.
Essas famílias, herdeiras de milícias locais, se dividem entre alianças com o próprio Hamas e com o Fatah, rival histórico. Nenhum deles, no entanto, admite ligação direta com Israel. A fragmentação da autoridade mostra que, no território devastado, o poder já não tem dono fixo, apenas sobreviventes com fuzis.
Israel e o “retorno do controle”
Do outro lado da fronteira, o governo israelense sustenta que o Hamas retomou o controle das principais cidades após a retirada militar definida no acordo. Segundo o portal israelense Ynet, os corpos de quatro reféns foram entregues até agora — um deles, no entanto, não era israelense, mas palestino.
O governo de Benjamin Netanyahu declarou que outros 24 corpos ainda são aguardados pelas famílias das vítimas. Enquanto isso, forças do Egito auxiliam nas buscas por restos mortais e reforçam o controle na fronteira sul.
O risco de um novo colapso
A tensão crescente coloca o acordo de paz à beira do colapso.
Se os ataques continuarem e os compromissos não forem cumpridos, uma nova ofensiva israelense pode ser apenas questão de tempo.
Enquanto isso, civis palestinos seguem em meio ao fogo cruzado, divididos entre o medo, a incerteza e o peso da política internacional — uma arena em que cada palavra pode custar vidas.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br / Redação: Eraldo Costa / Imagem: KamarOneBrasil














