Megaoperação tem apoio majoritário no país, mas é rejeitada por cariocas, aponta levantamento
Estudo da Palver em grupos de WhatsApp e Telegram revela polarização e mostra como a localização geográfica é o fator opinião na percepção da ação policial o monitoramento digital Palver analisou cerca de 100 mil grupos públicos no WhatsApp e 5 mil no Telegram entre a véspera da operação e as 8h da quarta-feira para avaliar a reação à megaoperação policial no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.
Divergência entre Visão Nacional e Local (Rio de Janeiro)
No agregado nacional, 45% das mensagens se posicionaram a favor da operação policial. Os usuários que defendiam a ação a classificavam como necessária para o combate ao crime organizado.
Em contrapartida, 38% das mensagens manifestaram oposição à iniciativa. Essas postagens destacavam a letalidade da operação, o número de mortos e a ausência de transparência nas informações repassadas às autoridades.
Entretanto, o cenário muda radicalmente ao se focar no estado do Rio. Lá, a balança da opinião se inverte: 43% das menções foram críticas, contra 39% favoráveis. Esse dado sugere que a proximidade geográfica e a experiência direta com os impactos do conflito influenciam significativamente a percepção da população, independente de outros fatores demográficos, tende a ser mais crítica a operações de alto impacto devido à sua vivência direta do problema de segurança pública.
Picos, termos, volume e narrativa
O pico observado foi de 1.377 mensagens a cada 100 mil publicações, por volta das 19h da terça-feira. Entre os termos mais citados nos grupos monitorados estavam “Rio de Janeiro”, “Lula”, “Polícia”, “Governo” e “Segurança”.
Quem apoiava a operação exaltava o papel da polícia e do governo estadual na reconstrução da ordem; já as mensagens críticas focavam no alto número de mortos, na falta de transparência sobre a contagem das vítimas e na transformação da área em zona de conflito
Foco ajustado para realidade
Os resultados fotografam o retrato dividido da opinião pública e evidenciam a polarização. Enquanto, de longe, o panorama nacional parecia dar maior apoio à operação, o quadro no estado do Rio reflete o cenário vivido por quem segura a máquina fotográfica na mão — ou seja, por quem testemunha, todos os dias, a fragilidade da segurança pública que se arrasta por anos. Essa parte da sociedade brasileira, ao viver de perto a tragédia da violência urbana, tem o foco mais realista sobre a situação da Cidade Maravilhosa.
Fonte: levantamento foi publicado no Blog do Lauro Jardim (O Globo) em 30 de outubro de 2025./ Redação: Eraldo Costa / Imagem: Arte/Eraldo/gruemfoco














