A edição de 2025 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começou com uma novidade que pegou muitos candidatos de surpresa: o uso de detectores de metais portáteis dentro das salas de prova. A medida, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), visa coibir tentativas de fraude e garantir a integridade física dos participantes.
Nos anos anteriores, a checagem com detectores era feita apenas nos portões de entrada. Agora, cada sala recebeu um equipamento exclusivo, operado por aplicadores treinados. Antes de iniciar a prova, os estudantes passam por um breve procedimento de segurança individual, semelhante ao de aeroportos. Apesar da estranheza inicial, o novo protocolo foi bem recebido e não gerou atrasos significativos.
Segundo o Inep, o objetivo é tornar o exame mais seguro e transparente, acompanhando o avanço tecnológico e as exigências de proteção em eventos de grande porte. A previsão é que o procedimento permaneça nas próximas edições.
Redação: envelhecimento na era digital
O tema da redação, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, trouxe à tona uma realidade demográfica inegável. O IBGE informou que, em 2022, 10,9% da população tinha 65 anos ou mais — um aumento de 57,4% em relação a 2010. Ao mesmo tempo, a faixa etária até 14 anos caiu para 19,8%.
A banca apresentou seis textos motivadores, entre eles trechos de Clarice Lispector, Rita Lee e Fernanda Montenegro. “A velhice não é doença. É destino”, escreveu Rita Lee. Já Fernanda Montenegro, aos 95 anos, afirmou: “A velhice é o tempo em que a vida já foi vivida e, por isso mesmo, pode finalmente ser olhada de frente, sem o pânico do ineditismo”.
Clarice Lispector retratou a invisibilidade: “Dona Maria Rita era tão antiga que na casa da filha estavam habituados a ela como a um móvel velho”. Essas vozes não pedem compaixão. Pedem reconhecimento.
Textos que inspiram
Além das citações e os dados do IBGE, um pictograma contestado da bengala, infográficos sobre desigualdades no envelhecimento e trechos do documentário Quantos dias. Quantas noites, que questiona: “Quem tem direito de viver mais?”. A resposta, implícita, está nas desigualdades estruturais que moldam o destino dos idosos — racismo, pobreza, acesso à saúde.
A proposta também remeteu ao tema de 2009 — “A valorização do idoso” —, lembrando que envelhecer é uma conquista social e individual, marcada por desafios, desigualdades e oportunidades de aprendizado.
Cultura e ciência na capa das provas
As capas dos cadernos do Enem 2025 trouxeram frases da cientista Marie Curie, primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel, com mensagens de incentivo à curiosidade e ao conhecimento, como:
“Seja menos curioso sobre as pessoas e mais curioso sobre ideias.”
“Aprendi que o caminho para o progresso não é rápido e nem fácil.”
Desde 2022, o Inep inclui citações de figuras históricas e literárias para inspirar os candidatos — uma tradição que reforça o caráter humanista do exame.
Abstenção e eliminação
O Ministério da Educação informou que 27% dos inscritos faltaram ao primeiro dia de prova. Além disso, 3,2 mil candidatos foram eliminados por infringirem regras do edital, como uso indevido de aparelhos eletrônicos ou violação do sigilo da prova.
O seguro morreu de velho
Entre detectores de metais, redações sobre envelhecimento e frases de Marie Curie, o Enem 2025 mostrou que prevenir é o verbo do futuro. Se a segurança reforçada trouxe um toque de modernidade, o tema da redação lembrou que sabedoria e prudência caminham lado a lado. Afinal, como diz o velho ditado: “O seguro morreu de velho.”
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br/ enem.inep.gov.br / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Divulgação














