Impacto prolongado após o vendaval
Três dias após o vendaval que derrubou árvores, bloqueou vias e afetou aeroportos da Grande São Paulo, moradores de Guarulhos ainda enfrentam interrupções no fornecimento de energia. A concessionária EDP afirma ter restabelecido a maior parte do serviço, mas diversos bairros continuam com falhas que comprometem a rotina de residências e empresas. A ausência de eletricidade também prejudica o sistema de abastecimento de água, já que as bombas dos reservatórios dependem de energia para operar, segundo relatos dos moradores.
Em alguns desses locais, a energia foi restabelecida, mas a recuperação do abastecimento está ocorrendo de forma gradual. Assim que o bombeamento é retomado, a água volta a fluir pelas tubulações, reabastecendo as caixas-d’água de cada casa e edifício no caminho, por isso a recuperação é gradativa. Sabesp, em comunicado
Bairros sofrem com instabilidade e desabastecimento
A instabilidade alcança bairros espalhados por toda a cidade, dos Pimentas à Vila Fátima, passando pelo Jardim Lenise e São João. Mesmo fora das áreas mais atingidas pelo vendaval, essas regiões ainda convivem com postes danificados e cabos rompidos. Sem energia, os reservatórios funcionam de maneira limitada e o abastecimento de água segue irregular. Em alguns pontos, a água chega com pouca pressão; em outros, simplesmente não aparece. Para muitas famílias, essa combinação de falhas cria um ambiente de incerteza e desgaste que atravessa a rotina e corrói a sensação de segurança.
A Sabesp informou, ainda, que mantém o contato com a Enel para acompanhar o problema. Mais de 2,2 milhões de pessoas estão sem energia em São Paulo e região metropolitana, segundo a concessionária de energia elétrica. A capital é o município mais afetado pela falta de luz, com mais de 1,4 milhão de clientes afetados. Já Cotia, na Grande São Paulo, aparece na segunda posição, com mais de 100 mil afetados.
Comércio fechado e perdas financeiras
No setor empresarial, o impacto é mais direto. Padarias, mercados e pequenos estabelecimentos que dependem de freezers e geladeiras acumulam prejuízos. Muitos comerciantes decidiram manter as portas fechadas para evitar gastos adicionais com produtos que estragam sem refrigeração. Como explicou um empresário local, “a energia não voltou, mas o prejuízo chegou antes dela”. Em período pré-festas, a situação amplia o risco de perdas e diminui a capacidade de reposição de estoque.
Famílias perdem mantimentos em pleno período festivo
Dentro dos lares, o problema repete a cena que várias gerações já viram em outras tempestades, mas nunca deixam de estranhar. Sem energia, alimentos armazenados começam a ser descartados. Famílias relatam perda de carnes, laticínios e refeições prontas, atingindo orçamento e rotina. Mesmo quem tem o hábito de fazer compras mais espaçadas sente o impacto. E, à medida que dezembro avança, cresce o receio de que o problema interfira nas celebrações e na segurança alimentar de muitos moradores.
Incerteza e falta de previsibilidade
Apesar dos pedidos por clareza sobre um prazo concreto de normalização, consumidores afirmam que a concessionária não apresenta atualização transparente. A ausência de informações precisas alimenta a sensação de abandono. A cada noite no escuro, soma-se o sentimento de que a cidade, tão próxima de um dos maiores aeroportos do país, ainda enfrenta fragilidades estruturais que teimam em aparecer nos momentos críticos.
Consequências para a cidade
A combinação de falhas elétricas e desabastecimento de água cria um efeito cascata. Hospitais, escolas, comércios, transportes e serviços urbanos operam sob risco. Em um município com mais de um milhão de habitantes, a demora no restabelecimento torna-se não apenas um transtorno, mas uma questão de saúde pública. Guarulhos, mais uma vez, vê sua rotina transformada por uma tempestade e pela lentidão na resposta.
Fonte: Equipe Guarulhos em Foco/noticias.uol.com.br/Redação: Eraldo Costa / Imagem: divulgação/EDP














