A Câmara dos Deputados protagonizou um movimento político que reforça a natureza pragmática do Centrão, ao rejeitar a cassação de Carla Zambelli (PL-SP) e suavizar a punição de Glauber Braga (PSOL-RJ). A decisão, tomada na quinta-feira, 11 de dezembro de 2025, evidenciou que este bloco partidário opera na lógica do “aluguel” de apoio, negociando sua influência entre os extremos da política nacional.
A Condição de Zambelli e o Custo do Apoio
A deputada Carla Zambelli, condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), teve seu mandato mantido. O placar da votação indicou 227 votos a favor da cassação e 170 contrários, não alcançando os 257 votos necessários.
Curiosamente, a deputada, que se encontra presa na Itália aguardando extradição, sobreviveu politicamente no Brasil graças a um grupo que, historicamente, busca manter o equilíbrio de forças dentro do Congresso. Observadores notaram que o Centrão “cumpriu o papel de ‘ponte’ entre direita e esquerda”, garantindo que a decisão não fosse meramente ideológica.
Suspensão de Braga: Uma Penalidade Calculada
O caso de Glauber Braga, acusado de quebra de decoro parlamentar após um confronto físico, seguiu uma trajetória similar de intervenção do Centrão. Em vez da cassação, os parlamentares optaram por uma suspensão de seis meses.
Essa sanção moderada demonstrou a preferência da maioria por uma medida que penaliza, mas não elimina o mandato. A atuação do Centrão confirmou a tese de que, no jogo de forças, manter o poder de barganha é prioritário. Eles mostraram que seu apoio é uma “moeda de troca” que pode ser oferecida tanto à oposição quanto ao governo, dependendo da conveniência tática.
A Fisiologia como Estratégia de Sobrevivência
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou as votações em meio a um clima de tensão e ameaças de judicialização. O desfecho ressalta a natureza fisiológica do Centrão: o interesse maior é preservar a estabilidade interna da Casa e garantir que o poder de negociação se mantenha inalterado.
A ironia, reside no fato de que o bloco não se “vende” a uma ideologia, mas se “aluga” por conveniência, garantindo que os extremos, mesmo em lados opostos, possam ser neutralizados quando necessário. Esta dinâmica pode, no entanto, gerar uma percepção pública de enfraquecimento do princípio de prestação de contas dos eleitos.
Fonte: Própria / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Divulgação














