O ninho do PSDB em São Paulo esvaziou. Quem são os dois tucanos que decidiram ficar enquanto a bancada migra para o PSD.
A cena política de São Paulo testemunhou um êxodo que sintetiza a crise de uma das maiores siglas do país. Dos oito deputados estaduais do PSDB na Alesp, seis voaram em direção ao PSD. O movimento, chamado de ‘canibalismo político’ pelo próprio PSDB, deixou o partido com uma bancada estadual sem personalidade política e uma pergunta: quem ficou no ninho?
A debandada e os que permanecem
O grupo que deixou o PSDB inclui nomes como Caio França, divulgador do movimento, e outros cinco colegas. Eles seguem um caminho já trilhado por grandes lideranças nacionais do partido, como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado e o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite.
Do lado de quem resiste à mudança, destacam-se dois nomes de peso que, até o momento, optaram por permanecer. Um deles é Paulo Serra, presidente estadual do PSDB-SP e ex-prefeito de São José dos Campos. Serra foi quem vocalizou a revolta contra a estratégia do PSD, comandado por Gilberto Kassab. O outro é Brigido Moura, deputado licenciado que atualmente ocupa o cargo de secretário municipal de Governo da Prefeitura de São Paulo.
Um partido em busca de redefinição
A saída em massa em São Paulo não é um incidente isolado. Ela reflete uma erosão nacional. O partido que já teve a maior bancada do Congresso e elegeu presidentes hoje conta com apenas 13 deputados federais e 3 senadores. A hegemonia de 28 anos em São Paulo terminou em 2022 com a vitória de Tarcísio de Freitas.
O partido é hoje liderado pelo ex-presidente e fundador Fernando Henrique Cardoso, que ocupa o cargo de Presidente de Honra. A presidência executiva nacional está nas mãos do deputado Aécio Neves, que assumiu o comando com o objetivo declarado de “trazer o partido de novo ao jogo político” e reconstruir um projeto de centro, distante da polarização entre PT e bolsonarismo. Paulo Serra, um dos que ficaram em São Paulo, atua como Vice-Presidente nacional
Geraldo Alckmin: Fundador e um dos principais nomes do PSDB, foi governador de São Paulo e candidato à Presidência. Deixou o partido após 33 anos para se tornar vice-presidente na chapa de Lula em 2022, migrando para o PSB.
Voando baixo
Em resumo, o PSDB se transformou em uma legenda muito menor, sustentada por sua história e por uma nova diretoria que tenta uma refundação. O desafio de Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso é gigantesco: reconstruir a relevância a partir de uma base extremamente fragilizada
Enquanto isso, o PSD emerge como um porto seguro para a centro-direita, atraindo parlamentares com a promessa de mais força e visibilidade. Para os dois tucanos que ainda restam na bancada paulista, a missão é evitar que a porta da gaiola se feche de vez. O desafio é recompor um ninho que, hoje, parece notavelmente vazio.
Por: Texto e Concepção de Imagem: Eraldo Costa | Imagem: IA / GPT














