Medidas incluem subsídios ao diesel e gás de cozinha, apoio ao setor aéreo e punições contra abusos nas bombas de combustíveis.
Com adesão de 25 estados (cerca de 92% do país), o governo federal lançou um pacote emergencial para conter a disparada dos combustíveis após a crise no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz. O plano concentra recursos no diesel, prevê subsídios ao gás de cozinha e tenta amortecer os efeitos no setor aéreo, enquanto aposta no aumento de impostos sobre cigarros para bancar os custos.
O impacto total estimado gira em torno de R$ 30,5 bilhões, com vigência inicial de dois meses.
Diesel concentra recursos e articulação política
O diesel permanece como eixo central da estratégia. A subvenção ao combustível, tanto importado quanto nacional, mobiliza a maior fatia dos recursos e conta com adesão massiva dos estados.
A medida busca conter o efeito cascata sobre frete, alimentos e inflação. No entanto, especialistas apontam que o resultado depende da efetiva redução nas bombas, o que exige fiscalização constante.
Aviação enfrenta alta de até 54% no combustível
O setor aéreo aparece como um dos mais pressionados pela crise. O querosene de aviação (QAV) acumula alta recente de até 54%, elevando custos operacionais e pressionando tarifas.
Apesar da isenção de tributos e da oferta de crédito, o pacote atua mais como contenção emergencial do que solução estrutural. O combustível representa parcela significativa dos custos das companhias, o que pode impactar rotas e preços ao consumidor.
Gás de cozinha mantém foco social, mas com alcance limitado
O subsídio ao GLP importado tenta proteger famílias de baixa renda, um dos grupos mais afetados pela alta dos combustíveis.
Ainda assim, o alcance é restrito e temporário, o que mantém o gás de cozinha como um dos principais pontos de pressão no orçamento doméstico.
Biodiesel e alternativas energéticas ganham espaço tímido
A isenção de PIS/Cofins sobre o biodiesel reduz custos de forma marginal, mas reforça o papel dos biocombustíveis como alternativa estratégica.
O Brasil possui vantagem comparativa nesse campo, frequentemente destacada por análises internacionais como as da The Economist. Mesmo assim, a transição energética ainda aparece como eixo secundário no pacote.
Conta será compensada com imposto sobre cigarros
Para evitar impacto fiscal direto, o governo aposta na elevação do IPI sobre cigarros e em receitas do setor petrolífero.
Na prática, trata-se de um modelo de compensação cruzada, em que parte do custo da crise energética é redistribuída entre outros setores da economia.
Fonte: Agência Brasil | Texto e Concepção de Imagem: Eraldo Costa | 📷: www.autodata.com.br














