Ministro Flávio Dino pede explicações após apuração revelar que cunhado de Daniel Vorcaro atuou em concessionária de cemitérios; gestão municipal diz que legalidade está comprovada e critica interferência.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou esclarecimentos formais à Prefeitura de São Paulo sobre indícios de conexão entre empresas concessionárias do serviço funerário da capital e o Banco Master. O despacho integra uma ação que contesta a legalidade da privatização desses serviços e ganha força com novas revelações sobre a atuação de operadores ligados ao banco falido no setor.
A solicitação judicial baseia-se em documentos que apontam o envolvimento direto de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro (preso e negociando delação premiada), na gestão da Cortel, uma das principais operadoras de cemitérios da cidade. Zettel atuou como conselheiro da concessionária entre 2022 e 2025. Além disso, investigações indicam que o Banco Master utilizou ações da Maya, outra empresa do ramo funerário, como garantia em transações financeiras suspeitas.
Reação da prefeitura
A administração do prefeito Ricardo Nunes respondeu com rapidez e tom agressivo à determinação do STF. Em nota oficial, a Prefeitura defendeu a lisura do processo de concessão e contra-atacou, sugerindo ironicamente que o ministro Flávio Dino “pergunte aos colegas de Supremo Tribunal Federal sobre o Banco Master”, aludindo a possíveis conexões políticas de outros membros da corte com a instituição financeira.
A reação repercutiu imediatamente na Câmara Municipal. A base aliada ao prefeito classificou o pedido do ministro como uma “interferência indevida” na autonomia do município. Em sentido oposto, parlamentares da oposição anunciaram medidas para ampliar o escrutínio. O vereador Celso Giannazi (PSOL) criticou a postura da gestão municipal, classificando-a como tentativa de blindagem, e afirmou que levará o caso ao Tribunal de Contas do Município (TCM) para auditoria detalhada dos contratos.
O “esquema de delação”
O episódio em São Paulo é apenas mais um capítulo de uma investigação federal de grandes proporções. A Polícia Federal apura um esquema de lavagem de dinheiro que envolve a supervalorização artificial de ativos funerários. O foco principal é um cemitério em Sabará (MG), cujo valor teria sido inflado para beneficiar fundos de investimento ligados ao grupo do Banco Master.
O desfecho do caso pode depender agora de Fabiano Zettel. Segundo informações de bastidores, ele planeja firmar um acordo de delação premiada com as autoridades. A expectativa é que seu depoimento corrobore e detalhe as informações que seu cunhado, Daniel Vorcaro, também deve entregar, potencialmente expondo uma rede de influência que conecta o sistema financeiro ilegal, o setor funerário e a política nacional.
Fonte: Brasil247 | Texto e Concepção de Imagem: Eraldo Costa | 📷:Cetenas de esculturas como esta tornam o cemitério um ponto turístico (Foto/L.S. Macedo/Divulgação)














