Políticos conhecidos, parlamentares experientes e candidatos com votação expressiva ficaram sem mandato na eleição que renovou a Câmara e a Alesp.
As eleições de 2026 produziram uma série de surpresas em São Paulo. Nomes conhecidos ficaram sem mandato, parlamentares experientes perderam espaço e candidatos que chegaram com menor projeção eleitoral conquistaram cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.
Entre os casos que chamaram atenção estão Aécio Neves (PSDB) José Dirceu (PT), Janaína Paschoal (PP) e Padre Kelmon (PL). Os três disputaram uma vaga de deputado federal, mas terminaram a eleição sem conseguir uma cadeira.
José Dirceu recebeu 78.450 votos. Janaína Paschoal teve 46.773, enquanto Padre Kelmon obteve 21.411 votos.
O resultado de Janaína chama atenção pela distância em relação à sua votação de 2018. Naquele ano, ela foi eleita deputada estadual com 2.060.786 votos, uma das maiores votações da história da Alesp. Em 2026, entretanto, sua tentativa de chegar à Câmara dos Deputados terminou sem mandato.
José Dirceu também protagonizou um retorno às urnas. Depois de mais de duas décadas afastado das disputas eleitorais, o ex-ministro da Casa Civil tentou voltar à Câmara, mas terminou como suplente.
Padre Kelmon, que ficou conhecido nacionalmente ao disputar a Presidência da República em 2022, também não conseguiu transformar a notoriedade conquistada naquela campanha em uma cadeira no Congresso.
A surpresa também apareceu na Alesp
A renovação foi significativa na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Dos 94 deputados da atual legislatura que buscavam permanecer na Casa, 42 não conseguiram retornar. Entre os nomes conhecidos que ficaram fora estão Leci Brandão, Maria Lúcia Amary, Valéria Bolsonaro, Edna Macedo e Jorge Wilson, entre outros.
Leci Brandão, por exemplo, recebeu 53.149 votos e não conseguiu renovar o mandato. Maria Lúcia Amary teve 64.839 votos, mas também ficou fora.
Jorge Wilson, conhecido como Xerife do Consumidor, recebeu 61.708 votos. Em 2022, havia alcançado 177.614 votos.
Valéria Bolsonaro também registrou uma queda expressiva: passou de 131.557 votos em 2022 para 51.274 em 2026.
Votação alta também não garantiu cadeira
Outro aspecto que marcou a eleição foi a quantidade de candidatos que receberam dezenas de milhares de votos, mas não conseguiram uma vaga.
Na disputa pela Câmara dos Deputados, Rui Falcão teve 106.443 votos e Paulo Teixeira, 106.062. Mesmo assim, os dois ficaram fora.
O motivo está no funcionamento das eleições proporcionais. Para deputado federal e estadual, não basta olhar apenas para a votação individual do candidato. A distribuição das cadeiras considera o desempenho dos partidos e das federações.
É por isso que um candidato com mais de 100 mil votos pode não ser eleito, enquanto outro, com votação menor, pode conquistar uma cadeira dependendo do desempenho de sua legenda.
Uma nova fotografia política
O resultado de São Paulo mostra uma combinação de renovação, queda de antigos representantes e ascensão de novos nomes.
Na Câmara dos Deputados, o PL ampliou sua presença, enquanto diferentes partidos perderam representantes. Na Alesp, o PL também terminou como a maior bancada, com 27 cadeiras.
A eleição ainda produziu votações expressivas de novos candidatos e confirmou a permanência de alguns nomes tradicionais.
O resultado final, portanto, não pode ser explicado apenas pelos candidatos mais conhecidos.
As urnas mudaram a fotografia do Legislativo paulista — e alguns dos personagens que pareciam ter espaço garantido acabaram ficando do lado de fora.
QUADRO | ALGUMAS SURPRESAS DE 2026
| Nome | Partido | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|
| José Dirceu | PT | 78.450 | Não eleito |
| Janaína Paschoal | PP | 46.773 | Não eleita |
| Padre Kelmon | PL | 21.411 | Não eleito |
| Rui Falcão | PT | 106.443 | Não eleito |
| Paulo Teixeira | PT | 106.062 | Não eleito |
| Leci Brandão | PCdoB | 53.149 | Não eleita |
| Maria Lúcia Amary | PSD | 64.839 | Não eleita |
| Jorge Wilson | Republicanos | 61.708 | Não eleito |
| Valéria Bolsonaro | PL | 51.274 | Não eleita |
O deputado federal e candidato ao Senado por Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) foi derrotado na disputa e ficou em sétimo lugar no estado.
Os escolhidos para as duas vagas foram Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT).
Fonte: Própria | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA | Gemini













