Último debate antes do segundo turno pode transformar a disputa pela abertura de dados bancários e telefônicos no principal embate da noite. Após provocações na Band, candidatos chegam à Globo com cobranças, condições e um eleitorado ainda por conquistar.
Na televisão, quando uma novela termina em suspense, a chamada anuncia: “No próximo capítulo”. Na corrida presidencial de 2026, o recurso cabe à política. Depois do confronto na Band, no domingo (18), Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao último debate da campanha, nesta sexta-feira (23), com um desafio que ultrapassou o estúdio e chegou à Justiça Eleitoral: a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos.
O encontro será transmitido ao vivo pela TV Globo, às 21h20, após o Jornal Nacional, diretamente dos estúdios da emissora no Rio de Janeiro. Será a última oportunidade de confronto direto entre os candidatos antes da votação de domingo (25).
O desafio da Band virou disputa fora das câmeras
Na Band, Lula desafiou Flávio a autorizar a divulgação de seus dados financeiros e telefônicos. No dia seguinte, o presidente formalizou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização que abrange os últimos oito anos, incluindo familiares e empresas relacionadas, condicionada à reciprocidade do adversário.
Flávio inicialmente ironizou a proposta. Nesta quarta-feira (21), porém, declarou aceitar a abertura dos próprios sigilos, mas apresentou novas condições: quer incluir informações do Instituto Lula, de assessores, de familiares e de estruturas ligadas ao governo. Também pediu a divulgação de registros administrativos e de dados relacionados a pessoas próximas ao presidente.
O embate mudou de dimensão. Em vez de uma simples resposta afirmativa ou negativa, cada candidato passou a disputar os termos da transparência exigida do outro. A apresentação dos documentos, contudo, não significa que os sigilos tenham sido efetivamente quebrados ou que todas as informações solicitadas possam ser divulgadas.
O que pode acontecer no próximo capítulo?
A pergunta que chega à Globo é se Lula voltará a cobrar uma autorização nos termos originalmente propostos ou se aceitará discutir as exigências adicionais de Flávio. Do outro lado, o senador terá de explicar se sua disposição anunciada representa um compromisso efetivo e quais condições considera indispensáveis.
As regras do debate permitem movimentação dos candidatos pelo estúdio, além de perguntas sobre temas regionais, assuntos definidos pela organização e temas livres. O formato abre espaço para confrontos diretos, mas não garante que a disputa sobre os sigilos dominará a transmissão.
O eleitor é quem decide o desfecho
Com a votação marcada para domingo, o debate também será uma disputa pela confiança dos indecisos e dos eleitores que ainda avaliam se mantêm ou mudam sua escolha. Ataques pessoais podem gerar repercussão, mas a cobrança por transparência só terá consistência política se vier acompanhada de explicações verificáveis e compromissos claros.
Na Band, o desafio foi lançado. Na Globo, poderá ser reafirmado, ampliado, relativizado ou deixado de lado diante de outros temas. Como numa chamada de novela, as cenas do próximo capítulo estão anunciadas. Desta vez, porém, o desfecho não será escrito por um autor: será avaliado pelo eleitor nas urnas.
Fonte: Própria | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA | Gemini













