Manifesto cita o papa Leão XIV e aponta riscos à democracia, aos direitos sociais e à soberania nacional; CNBB publicou mensagem própria em defesa do voto consciente, mas não assinou a carta eleitoral
Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), uma carta aberta assinada por mais de 60 bispos e arcebispos católicos ampliou o debate sobre a participação da Igreja na política brasileira. Divulgado em 22 de outubro, o documento critica posições atribuídas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), sem mencionar nominalmente o senador, e defende que os católicos orientem suas escolhas pelos princípios do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja.
Intitulada “Carta de Bispos Católicos ao Povo de Deus diante do Segundo Turno das Eleições Presidenciais de 2026”, a manifestação cita o papa Leão XIV para sustentar que há situações nas quais a neutralidade não seria suficiente. Os signatários afirmam que a disputa exige posicionamento diante de questões relacionadas à democracia, à justiça social, ao trabalho, ao meio ambiente e à soberania nacional.
Quais são as críticas dos bispos
O documento reúne questionamentos sobre posições atribuídas a Flávio Bolsonaro em sete áreas, entre elas a jornada de trabalho, o acesso a armas, as políticas ambientais, os programas sociais, os direitos humanos e a relação do Brasil com os Estados Unidos.
Os religiosos também manifestam preocupação com declarações que, segundo sua interpretação, poderiam ameaçar a ordem constitucional. Em relação à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os signatários reconhecem a possibilidade de críticas, mas afirmam que o atual governo demonstrou compromisso com os mais pobres, com o meio ambiente e com o respeito à Constituição.
A carta representa, portanto, uma manifestação política explícita de seus signatários. Embora os autores afirmem estar em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o documento não constitui, por si só, um posicionamento oficial da entidade.
Qual é a posição institucional da Igreja
A CNBB divulgou separadamente, em 21 de outubro, uma mensagem de seu Conselho Permanente sobre o segundo turno. O texto defende a participação consciente dos eleitores, o respeito à Constituição e aos resultados das urnas, além de destacar direitos como trabalho digno, alimentação, moradia, saúde e educação. A mensagem não declara apoio a um dos candidatos.
A distinção é importante porque a carta dos mais de 50 bispos adota críticas eleitorais mais específicas, enquanto a manifestação institucional da CNBB apresenta orientações gerais sobre democracia, cidadania e bem comum.
Repercussão nacional e dimensão internacional
A manifestação ganhou espaço em veículos brasileiros de diferentes linhas editoriais, entre eles Poder360, Brasil de Fato e Jornal GGN. A divulgação também alcançou organizações ligadas à atuação pastoral, como a Comissão Pastoral da Terra e a Rede Eclesial Pan-Amazônica.
A dimensão internacional do tema está relacionada à influência histórica da Igreja Católica no debate público, à referência ao magistério do papa Leão XIV e às discussões sobre democracia, direitos humanos, desigualdade e preservação ambiental. Entretanto, a consulta realizada não confirmou uma repercussão específica da carta em grandes veículos internacionais. Por isso, não é possível afirmar que o documento tenha provocado uma reação internacional significativa.
O episódio evidencia a presença de setores da Igreja no debate eleitoral brasileiro e a existência de diferentes níveis de manifestação dentro da instituição. Para os eleitores, a distinção entre documentos oficiais, cartas de grupos de religiosos e opiniões individuais é essencial para compreender o alcance de cada posicionamento.
Com a votação marcada para domingo, o manifesto acrescenta um componente religioso e social à disputa presidencial, sem eliminar a responsabilidade de cada eleitor de avaliar os candidatos, suas propostas e suas trajetórias.
Fontes: Poder360, Brasil de Fato, Jornal GGN e CNBB Imagem: Conselho Permanente













