O Brasil abriga a segunda maior reservas de terras raras do planeta
Tesouro Energético em Solo Brasileiro
O Brasil abriga uma das maiores reservas de terras raras do planeta, com estimativas entre 21 e 22 milhões de toneladas de óxidos desses elementos, o que representa cerca de um quarto das reservas globais. Esses recursos estão concentrados principalmente em regiões de formação alcalina-carbonatítica, como Araxá, Tapira e Poços de Caldas (MG), Catalão (GO) e Jacupiranga (SP).
No entanto, a produção brasileira segue em compasso de espera. Em 2025, a participação do Brasil foi de apenas 0,09% na produção global, com cerca de 80 toneladas. Para efeito de comparação, a China segue liderando com folga, respondendo por 70% da extração mundial. Atualmente, apenas a mina da Serra Verde, em Goiás, está em operação no país.
O mercado global de olho no tesouro
A China ainda domina a produção (cerca de 70 %) e o processamento (90 %) das terras raras, mantendo enorme influência nas cadeias globais de suprimentos (The Australian). O aumento da demanda, impulsionado por setores como IA, energia limpa e defesa, catalisa a busca por fornecedores alternativos, elevando o interesse global por projetos brasileiros (Business InsiderWall Street JournalTIME.)
Outros países, como Austrália, Estados Unidos, Rússia, Vietnã e Índia, também têm reservas expressivas, mas com produção ainda limitada. A Austrália se destaca por manter operações consistentes por meio da empresa Lynas Rare Earths.
Além das Terras Raras: Nióbio, Lítio e Outras Riquezas
O Brasil lidera com folga a produção global de nióbio, com aproximadamente 90% do mercado mundial, graças à CBMM, que opera no complexo de Araxá (MG). Esse metal, essencial para indústrias aeroespacial, automotiva e energética, também está sendo explorado para uso em baterias elétricas.
Quanto ao lítio, o país ocupa a quinta posição global em produção (cerca de 10.000 toneladas em 2024), com investimentos expressivos em projetos no chamado “Lithium Valley” (MG). Empresas como Sigma Lithium, Atlas Lithium e Latin Resources lideram iniciativas promissoras com foco em extração sustentável e competitividade de custo
A demanda global por terras raras deve crescer de forma acelerada. Estimativas indicam que o mercado pode movimentar mais de US$ 19 bilhões até 2032. Entre os principais motores desse crescimento estão:
- Veículos elétricos, que utilizam ímãs permanentes à base de terras raras;
- Energia renovável, como turbinas eólicas e painéis solares que dependem de elementos como neodímio e disprósio;
- Eletrônicos de consumo, como smartphones, notebooks e outros dispositivos digitais;
- Indústria de defesa, com uso em equipamentos militares e aeroespaciais.
A busca por fontes seguras tem impulsionado investimentos fora da Ásia, além de iniciativas de reciclagem e prospecção de novas jazidas.
Oportunidade Estratégica para o Brasil
O Brasil está diante de uma oportunidade histórica para se consolidar como fornecedor confiável em um mercado altamente concentrado. Nações que desejam reduzir a dependência da China buscam parceiros alternativos — e o Brasil pode ser um deles.
Para tanto, é preciso avançar em várias frentes:
- Investimento em tecnologia de extração e refino;
- Ambiente regulatório estável e atrativo;
- Melhoria da infraestrutura logística;
- Capacitação de mão de obra especializada;
- Parcerias com centros de pesquisa e países com expertise tecnológica.
O Trunfo na manga
O Brasil possui um leque impressionante de minerais fundamentais — das terras raras ao lítio, do nióbio ao grafite — que compõem o núcleo da transição energética global. Ainda assim, enfrenta o desafio de converter esse potencial geológico em benefício econômico real. Para isso, dependerá de ação coordenada entre setor público, privado e academia, com investimentos robustos, regulação clara e visão de longo prazo. Somente assim poderá deixar de ser fornecedor de insumos primários e se consolidar como protagonista tecnológico global.
Fonte: www.time.com / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Divulgação














