Entenda como o Brasil reagiu à investigação dos EUA contra práticas comerciais e por que o BRICS Pay ganha força
O governo brasileiro enviou nesta segunda-feira (18) uma resposta oficial aos Estados Unidos sobre a investigação aberta pela gestão de Donald Trump que coloca o Pix na mira. Paralelamente, o BRICS acelera a criação do BRICS Pay, sistema de liquidação financeira apelidado de “Pix Global”, que promete reduzir a dependência do dólar e ampliar o comércio entre as potências emergentes.
Pressão americana
A investigação contra o Pix se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio e Tarifas de 1974, dispositivo que permite aos EUA impor sanções contra práticas comerciais consideradas desleais. No relatório divulgado em julho, o Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) classificou o Pix como possível prática desonesta e também apontou falhas no combate à pirataria no Brasil.
O chanceler Mauro Vieira rebateu as críticas e afirmou que o sistema brasileiro de pagamentos é “absolutamente legítimo”. Para o Itamaraty, a medida representa um uso equivocado da legislação americana e não se sustenta tecnicamente.
BRICS Pay: o “Pix Global”
Enquanto isso, o BRICS — formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos membros como Irã e Emirados Árabes Unidos — avança no desenvolvimento de seu sistema de pagamentos integrado. Batizado de BRICS Pay, a ferramenta permitirá transferências internacionais rápidas e de baixo custo por meio de blockchain, QR Codes, carteiras digitais e canais diretos entre bancos centrais.
Na 16ª Cúpula do bloco, em 2024, o projeto foi definido como estratégico para a integração econômica. Embora não seja uma moeda única, o “Pix Global” deve facilitar exportações, importações e reduzir gastos com câmbio.
Rivalidade em alta
A iniciativa acirra tensões com Washington. Trump classificou o BRICS como “grupo antiamericano” e ameaçou impor tarifas de 10% a países alinhados ao bloco, além de elevar para 50% os tributos sobre produtos brasileiros. O governo também vinculou a ofensiva contra o Pix a essa disputa maior, apontando risco à supremacia econômica dos EUA.
Especialistas avaliam que o BRICS Pay pode rivalizar, até 2030, com sistemas tradicionais como o SWIFT, movimentando centenas de bilhões de dólares ao ano.
O papel do Brasil
Para o Brasil, o BRICS Pay representa oportunidade estratégica. O sistema deve integrar soluções já existentes, como o Pix e o Drex, fortalecendo setores como agronegócio, mineração e energia. Em setembro de 2025, o Pix já registrava 227 milhões de transações diárias, demonstrando seu potencial de escala dentro da rede global.
Economistas projetam que a digitalização das moedas nacionais e a garantia de linhas de crédito pelo Novo Banco de Desenvolvimento podem consolidar o BRICS Pay como alternativa sólida ao dólar.
Fonte: www.jornalopcao.com.br / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Divulgação














