(Nem Tão Secreto Assim): As operações especiais dos EUA deixam rastros no solo de Guarulhos.
A chegada de um Boeing 757-200 da Força Aérea dos Estados Unidos ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na noite de 19 de agosto, reacendeu o debate sobre as operações aéreas sigilosas e as aeronaves militares especiais americanas. Autorizada pelo governo brasileiro, a aeronave pertence ao 150º Esquadrão de Operações Especiais da USAF, conhecido por seu envolvimento em ações que incluem agentes da Agência Central de Inteligência (CIA).

O que são as Aeronaves “Fantasmas”?
As chamadas “aeronaves fantasmas” não são aviões invisíveis nem de ficção, mas sim aeronaves reais da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) que operam com identificações mínimas ou nulas. Esse padrão de discrição faz parte de uma política de segurança operacional (OPSEC), cujo objetivo é proteger a natureza sensível de suas missões. Um exemplo é o C-32B, variante do Boeing 757, apelidado informalmente como Gatekeeper, termo em inglês que significa “porteiro”. Essa aeronave circula com pintura totalmente branca, sem números de série, insígnias ou marcas distintivas, o que contribui para seu perfil discreto.
Já o C-32A, também baseado no Boeing 757, é facilmente identificável pela pintura azul e branca, a inscrição “United States of America” na fuselagem e a bandeira dos EUA na empenagem. Ele é usado para o transporte oficial de autoridades da Casa Branca, como o vice-presidente, e atua com o indicativo Air Force Two. Apesar de sua visibilidade, o C-32A não possui um apelido popular consolidado, ao contrário do C-32B, cujo codinome reforça sua natureza sigilosa.
A Busca por Discrição: Um Histórico
A necessidade de transporte aéreo discreto e rápido para forças especiais e pessoal em áreas de conflito remonta a décadas. A Crise dos Reféns no Irã, em 1979, expôs a vulnerabilidade dos EUA em operações de resgate e impulsionou a busca por aeronaves com capacidade de decolagem e pouso vertical (VTOL) ou curto (STOL) e, principalmente, furtivas.
Exemplos de Aeronaves Utilizadas:
- Hughes 500P (“Os Quietos”):Helicópteros modificados pela CIA para reduzir o ruído em operações no Vietnã.
- Caravanas Cessna:Usados para vigilância e até equipados com mísseis Hellfire em operações na Colômbia.
- Guardião do C-32B:Versão militar discreta do Boeing 757, utilizada para transporte de pessoal e missões especiais.
A Política de Remoção de Identificações
Para aumentar a discrição, a Força Aérea dos EUA adotou a política de remover números de série e outras marcações de identificação de aeronaves como o C-32B e o C-40 Clipper. Essa medida visa dificultar o rastreamento e a identificação das aeronaves por adversários.
Unidades Envolvidas em Operações Secretas
Algumas unidades da Força Aérea dos EUA se destacam por seu envolvimento em operações aéreas sigilosas:
- 427º Esquadrão de Operações Especiais: Apoia treinamento de infiltração e exfiltração, transporta comandos americanos e auxilia na caça a insurgentes.
- 150º Esquadrão de Operações Especiais: Associado ao C-32B e a missões que envolvem equipes de apoio a emergências estrangeiras (FEST) e a CIA.
Uma Peça no Quebra-Cabeça
No entanto, o que era para ser uma operação discreta, com um Boeing 757 pintado de branco e sem identificação clara, acabou se tornando um espetáculo visto mundialmente. A discrição, outrora o objetivo primordial de operações sigilosas, agora aparece estampadas em manchetes. A aeronave, ao seguir o protocolo de desembarque diplomático, tentou manter a aura de sigilo, mas o resultado foi o oposto. O que se vê foi um esforço tão grande para não chamar a atenção que acabou atraindo todos os holofotes.
O Quebra-Cabeça Se Monta
O recente pouso de um Boeing 757 em Guarulhos, com sua pintura branca e ausência de identificação, personificou a atuação das forças especiais americanas que, digamos, apreciam um bom disfarce. A aeronave seguiu o protocolo padrão de desembarque diplomático, mantendo o perfil “sigiloso” que, a essa altura, já é mais conhecido que receita de bolo.
Afinal, o que era para ser uma operação “fantasma” em território brasileiro acabou virando manchete. O “segredo secreto”, como dizem, ganhou o mundo, e agora todos sabem que um avião branco, sem marcas, é quase como um outdoor luminoso anunciando: “Atenção: Operação Especial em Andamento”. A discrição, outrora guardado a sete chaves primordial para o sucesso das missões, transformou-se numa piada internacional.
Fonte: Própria / Redação Eraldo Costa / Imagem: Divulgação














