Ameaças, vídeos falsos e boatos: Filtrar para não ser enganado é também questão de sobrevivência online
A prisão de Hytalo Santos e de seu marido, além da detenção do cibercriminoso Cayo Lucas — preso pela Polícia Civil de São Paulo em Pernambuco nesta segunda-feira (25) —, revelou uma rede de ameaças contra o influenciador Felca, conhecido por combater a sexualização infantil na internet. Lucas, que comercializava material abusivo de crianças online, tornou-se símbolo de um problema maior: a combinação tóxica entre perseguição virtual por stalkers, manipulação digital e notícias falsas, que ultrapassa a segurança de um web humorista. Essa tríade vem afetando a economia mundial devido aos mais variados golpes provenientes da internet, que vão desde sites falsos até ligações com vozes idênticas às de parentes próximos.

O caso ganhou notoriedade após narrativas distorcidas acusarem Felca de expor vítimas, quando, na verdade, ele enfrenta retaliações por expor criminosos. Diante disso, parlamentares intensificaram debates sobre a “Lei Webmirins”, proposta que busca regulamentar plataformas digitais para crianças e adolescentes, com foco em moderação rigorosa e responsabilização de redes sociais.

Deepfakes: a realidade distorcida pela inteligência artificial
Paralelamente segundo o Fórum Econômico Mundial, a desinformação impulsionada por IA figura entre as maiores ameaças globais em 2025. Deepfakes — conteúdos falsos gerados por algoritmos — já são usados para criar áudios e vídeos capazes de enganar até especialistas. Em Sorocaba, um áudio falso sobre “massacre em escolas” gerou pânico coletivo, ilustrando como a tecnologia amplifica o medo.
Especialistas destacam que identificar essas fraudes requer atenção a detalhes como movimentos faciais não naturais ou vozes com entonação robótica:
Observe detalhes técnicos que escapam à IA
Deepfakes costumam apresentar inconsistências sutis, mas identificáveis. Preste atenção a movimentos faciais não naturais, como piscadas muito raras ou ausentes (humanos piscam em média 15 vezes por minuto). Verifique também sombras desalinhadas com a fonte de luz, bordas de objetos pixeladas ou vozes com entonação mecânica em momentos de emoção. Em vídeos de alta qualidade, analise a sincronia entre lábios e áudio: a IA ainda falha em replicar a complexidade dos movimentos bucais em frases rápidas.
Valide a origem da informação
Sempre rastreie a fonte original do conteúdo. Deepfakes frequentemente circulam em contas novas ou anônimas, sem histórico de publicações confiáveis. Use ferramentas como o Google Reverse Image Search ou o InVID para verificar se o vídeo já foi analisado por sites de checagem (ex.: Aos Fatos, Boatos.org). Além disso, confira se canais oficiais — como governos ou instituições — confirmaram a informação. Lembre-se: notícias sensacionalistas sobre temas como “fim do Bolsa Família” ou “taxação do Pix” costumam ser falsas quando surgem apenas em perfis sem credibilidade.
Fake news: medo como estratégia de engajamento
Além dos deepfakes, notícias falsas continuam a circular com facilidade, muitas vezes aproveitando temas sociais críticos. Em 2025, alertas infundados sobre “fim das férias remuneradas” e cortes no auxílio emergencial geraram confusão em milhões de famílias. Nas escolas, adolescentes utilizam áudios inventados de ameaças como justificativa para faltas, mas o impacto vai além de uma simples brincadeira.
Filtrar essas ameaças
Desconfie de emoções manipuladas
Criminosos usam deepfakes para explorar sentimentos urgentes, como medo ou raiva. Se um vídeo mostra uma figura pública em situação extrema (ex.: um político confessando corrupção), pause e questione: Por que essa informação só está circulando aqui? Deepfakes eficazes muitas vezes misturam fatos reais com elementos fabricados — como usar uma declaração antiga editada para parecer atual. Nesses casos, busque contextos históricos na plataforma Wayback Machine ou em arquivos jornalísticos.
Adote hábitos de navegação segura
Proteger-se vai além de identificar deepfakes. Ative a autenticação em duas etapas em todas as redes sociais, recuse compartilhar dados pessoais em formulários não verificados e desconfie de mensagens que criam urgência (“Seu CPF foi bloqueado!”). No caso de ligações suspeitas com vozes idênticas às de familiares, estabeleça códigos pré-combinados para validação (ex.: “Qual foi nosso último almoço?”). Plataformas como o Truecaller ajudam a identificar números fraudulentos, enquanto extensões como uBlock Origin bloqueiam sites maliciosos.
Eduque-se e eduque outros
A melhor defesa é o senso crítico coletivo. Participe de cursos gratuitos oferecidos pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.br) sobre segurança digital, ou compartilhe materiais do Movimento Web Segura com familiares. Nas escolas, incentive professores a abordarem o tema usando exemplos reais — como o áudio falso de “massacre em escolas” que gerou pânico em Sorocaba. Lembre-se: até especialistas erram. Como observa o cronista “Era”, “A tecnologia avança rápido, mas nossa capacidade de questionar deve ser mais ágil ainda”
Fonte: Propria / Redação: Eraldo costa / Imagem: divulgação














