Com 130 mortos, Rio deixa marca da operação policial mais letal da história do Brasil.
Com os atuais 128 mortos, o Rio de Janeiro registra a operação policial mais letal da história do país. Inicialmente, o balanço oficial apontava 64 mortes, sendo 64 suspeitos e 4 policiais, mas moradores da Penha relataram que pelo menos 66 corpos adicionais foram levados à Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, não contabilizados no relatório inicial.
Peritos trabalham para identificar as vítimas e confirmar quais mortes estão diretamente ligadas à operação, que mobilizou 2,5 mil agentes e foi planejada por dois meses, com foco no Comando Vermelho (CV), maior facção criminosa da cidade.
Comparação histórica
Três décadas após o massacre do Carandiru (1992), que deixou 111 presos mortos em São Paulo, o Brasil presencia nova tragédia de grandes proporções. Embora os contextos sejam distintos — um dentro do sistema prisional e outro em área urbana —, a operação na Penha e no Alemão ultrapassa em letalidade episódios anteriores, marcando um recorde histórico de mortes em confrontos urbanos.
Estratégia e viés político
Especialistas apontam viés político na operação. Diferente de ações em áreas de alto poder aquisitivo, como a apreensão de 117 fuzis em condomínio de luxo com Ronnie Lessa, que ocorreu sem disparos, a ofensiva na Penha e Alemão resultou em dezenas de mortes. O episódio acende questionamentos sobre desigualdade de tratamento e seletividade da força policial, atingindo majoritariamente moradores pobres e negros, moradores de favelas, enquanto autoridades e áreas abastadas permanecem intocadas.
O Rio de Janeiro tem histórico de envolvimento de autoridades e policiais com milícias, tráfico de armas e contravenções, o que reforça suspeitas de que a operação beira uma queima de arquivo, com vítimas alvejadas de forma desproporcional.
Confrontos e novas dinâmicas
A megaoperação marcou mudança no padrão de enfrentamento entre forças de segurança e facções criminosas. Traficantes utilizaram drones equipados com granadas, enquanto a polícia realizou 81 prisões e apreendeu 100 fuzis. Moradores relatam corpos espalhados por áreas de mata, como a Serra da Misericórdia, e denunciam execuções e desaparecimentos.
O governo estadual classificou a ação como “operação contra narcoterroristas”, retórica criticada por entidades de direitos humanos, que alertam para o risco de banalização da força letal.
Novos desdobramentos
O governo Lula após reunião com o ministro da justiça, defende ações programadas e conjuntas no combate ao trafego de drogas mas, rejeita a garantia da lei e da ordem (GLO), que é uma operação de policiamento realizada pelas Forças Armadas Brasileiras de forma provisória até o restabelecimento da normalidade da lei e da ordem pública.
O episódio ocorre às vésperas de eventos internacionais, incluindo reuniões de prefeitos do mundo todo e a premiação Earthshot Prize com presença do Príncipe William, destacando tensões entre a imagem global do Rio e a realidade da violência urbana. O caso é acompanhado por entidades de direitos humanos e analistas políticos, que alertam para o risco de banalização da força letal e reforço de padrões históricos de extermínio no país.
Fonte: oglobo.globo.com / Redação: Eraldo Costa / Imagem: IA/Ilustração














