Comissão do Senado inicia trabalhos com foco em facções, milícias e corrupção. Relator Alessandro Vieira define plano de investigação e primeiros convocados incluem ministros e governadores.
Em meio a uma disputa política apertada entre governo e oposição, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado Federal definiu seu comando nesta terça-feira (4).
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito presidente por 6 votos a 5, derrotando o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que assume a vice-presidência.
A relatoria ficou com Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento que originou a CPI.
Composição da CPI
Presidente: Fabiano Contarato (PT-ES)
Vice-presidente: Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
Relator: Alessandro Vieira (MDB-SE)
Entre os titulares estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Magno Malta (PL-ES), Rogério Carvalho (PT-SE) e Otto Alencar (PSD-BA).
Como suplentes, destacam-se Sérgio Moro (União-PR), Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Foco e Prazo da Investigação
Com prazo de 120 dias, a CPI pretende investigar o modus operandi das organizações criminosas e milícias no Brasil, identificar suas estruturas e propor soluções concretas de combate.
A instalação ocorre em meio a um clima político tenso, impulsionado por operações recentes de grande repercussão, como as no Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.
Primeiros Requerimentos e Convocações
Logo após a eleição, a comissão aprovou convites para autoridades-chave:
- Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública;
- José Mucio Monteiro Filho, ministro da Defesa;
- Andrei Augusto Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal;
- Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da ABIN;
- Cláudio Castro (RJ) e Tarcísio de Freitas (SP), governadores convidados a detalhar ações de combate ao crime em seus estados.
O plano de trabalho prevê também a solicitação de relatórios de inteligência sobre controle de armas e monitoramento de facções criminosas.
Temas Estratégicos da CPI
O relator Alessandro Vieira dividiu a apuração em cinco eixos centrais:
- Domínio territorial das facções;
- Lavagem de dinheiro e movimentações financeiras ilícitas;
- Corrupção ativa e passiva em órgãos públicos;
- Sistema prisional e o controle interno das facções;
- Rotas de tráfico de armas, drogas e contrabando nas fronteiras.
A CPI também deve propor medidas legislativas urgentes sobre segurança pública já em tramitação no Congresso.
Críticas da Oposição
A eleição de Contarato foi alvo de críticas da oposição, que teme viés político na condução dos trabalhos.
Senadores do PL e Republicanos afirmam que o governo pode “blindar” determinadas investigações e redirecionar o foco da CPI. Mourão e aliados defenderam que a presidência deveria ser ocupada por um nome neutro.
Contarato, por sua vez, respondeu que pretende conduzir os trabalhos com “rigor técnico e transparência total”, destacando sua carreira como delegado de polícia.
Entenda o que é a CPI do Crime Organizado
Instalada oficialmente no Senado em 2025, a CPI do Crime Organizado tem o objetivo de mapear e combater facções criminosas e milícias que atuam em todo o território nacional.
Além de investigar o controle de territórios e o tráfico de drogas, a comissão também analisará como esses grupos se infiltram em contratos públicos, empresas de segurança e estruturas políticas locais.
Os senadores pretendem cruzar informações de polícias civis, federais, ministérios e órgãos de inteligência, criando um diagnóstico nacional sobre o avanço do crime organizado — tanto nas periferias quanto em esferas institucionais.
A expectativa é que o relatório final apresente propostas legislativas e recomendações operacionais para enfraquecer o poder econômico das milícias e das facções no país.
Fonte: Equipe Guarulhos em Foco / Redação: EDraldo Costa / Imagem: Arte














