Castro confirma continuidade da tática no RJ e pressiona EUA contra o Comando Vermelho.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), confirmou o aprofundamento das operações policiais no estado após a ação que deixou 121 mortos nos Complexos da Penha e do Alemão. Segundo o próprio governador, dez novas operações já estão autorizadas pela Justiça, o que sinaliza a continuidade da política de enfrentamento direto ao crime organizado.
Em entrevista ao colunista Lauro Jardim, Castro afirmou que as ações seguirão o modelo da Operação Contenção, mas descartou ocupações permanentes nas comunidades. “Não acredito em ocupação”, declarou. As próximas incursões devem começar por Jacarepaguá, na zona oeste, enquanto a Baixada Fluminense receberá operações diárias voltadas à remoção de barricadas e retomada de territórios.
Diplomacia de segurança: o CV na mira dos EUA
Em uma iniciativa inédita, o governo fluminense enviou aos Estados Unidos um relatório solicitando que o Comando Vermelho (CV) seja incluído na lista de organizações narcoterroristas. O documento, intitulado “Análise Estratégica: Inclusão do Comando Vermelho nas listas de sanções e designações dos EUA”, foi encaminhado à embaixada norte-americana no início de 2025.
Se aceito, o pedido permitirá a aplicação de sanções econômicas e bloqueio de bens sob a legislação antiterrorismo norte-americana. O texto argumenta que essa designação facilitaria a extradição de líderes do CV refugiados em países vizinhos e ampliaria a cooperação com a Interpol, DEA, FBI e ONU.
Além disso, o relatório sustenta que o novo status permitiria rastrear empresas de fachada e aliados econômicos ligados à facção no exterior.
Preocupação federal e divergências nos dados
A iniciativa provocou reação no governo federal. Assessores da gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alertam para os riscos diplomáticos e financeiros da medida. Eles afirmam que a decisão dos EUA pode atingir bancos e companhias brasileiras, dependendo da forma como forem aplicadas as sanções. Um assessor classificou a proposta como “tremenda irresponsabilidade”.
Enquanto avança no campo internacional, Castro também enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório de 26 páginas sobre a Operação Contenção. O documento apresenta 99 prisões, sendo 82 em flagrante e 17 por mandado judicial, números inferiores aos divulgados inicialmente. Entre os detidos, 10 são menores de idade e 29 são oriundos de outros estados.
A lista de apreensões inclui 122 armas (96 fuzis, 25 pistolas e um revólver), 260 carregadores, 5,6 mil projéteis e 12 artefatos explosivos. As diferenças entre os dados oficiais reforçam o debate sobre transparência e controle público das ações policiais.
Entre o medo e a lei
O Rio de Janeiro vive mais um capítulo de sua longa batalha contra o tráfico, dividido entre o discurso da força e o apelo por segurança. A gestão estadual aposta em resultados imediatos, enquanto Brasília teme os efeitos colaterais de uma política que mistura combate ao crime e diplomacia internacional.
Fonte: www.diariodocentrodomundo.com.br / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Nano Banana














