Prisão em flagrante após nove horas de oitiva, Jucimar tinha se negado a comparecer duas vezes anteriormente.
A CPMI do INSS determinou, na madrugada desta terça-feira, 2, a prisão em flagrante de Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social. A decisão, tomada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), ocorreu após um depoimento que durou cerca de nove horas. Segundo o parlamentar, o investigado apresentou omissões e informações imprecisas ao tratar de atos administrativos sob sua responsabilidade.
Trajetória no INSS: ingresso em 2013 e promoção em 2021
Jucimar ingressou no INSS em 2013, aprovado para o cargo de técnico do seguro social.
Sua ascensão para cargos de confiança ocorreu apenas em 2021, já no governo Jair Bolsonaro, quando passou a integrar funções estratégicas na área de benefícios. À época, segundo documentos analisados pela comissão, ele já assinava pareceres e despachos internos vinculados a pagamentos, convênios e desbloqueios.
Até ser afastado preventivamente em abril de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Desconto, Jucimar ocupava o cargo de coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios, função que exercia até então.
Contradições sobre autorizações e acordos técnicos
Durante o depoimento, o ex-coordenador não confirmou datas, atribuições e fundamentos relacionados aos acordos de cooperação técnica que permitiram descontos associativos e operações de crédito consignado. A comissão sustenta que ele evitou reconhecer irregularidades já identificadas em auditorias.
“O senhor está preso por calar a verdade”, afirmou o presidente da CPMI ao encerrar a sessão, ressaltando as inconsistências registradas.
Relação com a Operação Sem Desconto
A prisão ocorreu no contexto das investigações da Operação Sem Desconto, que apura a autorização de descontos em massa aplicados a aposentados e pensionistas, apesar de alertas técnicos. Documentos em poder da CPI apontam que Jucimar assinava pareceres desde 2021, o que contrasta com sua versão de que só teria iniciado tais atividades em 2023.
Defesa nega autonomia decisória
Ao longo da oitiva, Jucimar buscou minimizar seu papel na cadeia decisória, alegando subordinação ao diretor de Benefícios e à presidência do INSS, além de afirmar que não detinha autonomia plena. A CPI, porém, considera que os documentos assinados pelo investigado desmentem essa narrativa.
Próximos passos e impactos da investigação
Após a prisão, Carlos Viana informou que solicitará a prorrogação da CPMI até maio de 2026, sob o argumento de que ainda há pontos sensíveis a serem esclarecidos. O caso reacende o debate sobre a fragilidade dos mecanismos de controle de convênios e descontos na folha do INSS, tema que afeta diretamente milhões de beneficiários.
Fontes: www.congressoemfoco.com.br/ /www.poder360.com.br / Redação: Eraldo costa / Imagem: divulgação














