Entre sanções e afagos: nova fase nas relações Brasil-EUA mexe com tabuleiro político nacional.
Um telefonema de quarenta minutos entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos foi suficiente para reescrever um capítulo da política internacional e do posicionamento de uma de suas vozes mais críticas.
Após uma conversa descrita como “muito positiva” e “produtiva” por Luiz Inácio Lula da Silva e Donald J. Trump, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ergueu simbolicamente uma bandeira branca nas redes sociais.
A Guinada Estratégica nas Redes Sociais
Horas depois de Trump declarar, em sua rede social Truth Social, que “muitas coisas boas virão desta nova parceria” com Lula, o parlamentar brasileiro, que vive nos EUA, publicou uma mensagem de tom conciliador no X (antigo Twitter). Ele afirmou enxergar com “otimismo” o diálogo entre os dois países, que “pode abrir caminhos importantes”. A postagem marcou uma reviravolta brusca.
Até então, Eduardo Bolsonaro era um dos principais defensores da manutenção e até do aumento das sanções econômicas que os Estados Unidos impuseram a autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF) e a setores da economia brasileira. Ele via essas retaliações, incluindo o “tarifaço” de 50% sobre alguns produtos, como ferramentas legítimas para pressionar o Judiciário e constranger o governo Lula.
O Contraste com a Atuação Anterior nos EUA
A súbita mudança de postura contrasta radicalmente com a atuação do deputado nos últimos meses em solo americano. Desde que se estabeleceu nos EUA, sua agenda consistia em buscar autoridades conservadoras e congressistas para denunciar decisões do STF e pedir mais pressão contra o Brasil.
A conversa entre os presidentes, no entanto, seguiu uma rota oposta, focada na retomada de laços comerciais e na cooperação para o combate ao crime organizado transnacional. Trump chegou a elogiar Lula publicamente, afirmando “gostar” do colega brasileiro.
Sob nova direção, o recálculo da rota é questão de sobrevivência
A reação de Eduardo Bolsonaro ilustra um recálculo de rota diante de uma realidade realinhada. Com os líderes máximos de ambos os países caminhando para uma reaproximação concreta, a estratégia anterior de confronto perdeu sentido prático.
Agora, o deputado adapta seu discurso à nova dinâmica, Diante das frustrações da estratégia anterior, o tom cinza das cinzas pós-incêndio de sua retórica dá lugar ao gesto público de hastear uma bandeira branca diante da “parceria recém-formada” celebrada por Trump. O movimento, contudo, não significa a rendição de seus ideais, mas o reconhecimento tático de uma derrota circunstancial no campo de batalha que ele mesmo elegeu.
Fonte: Própria / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Banco de imagem Canva














