Pré-candidatos à Presidência acenam aos EUA com terras raras brasileiras e colocam o tema no centro da disputa eleitoral e geopolítica.
O Brasil entrou no radar da disputa global por minerais estratégicos após dois movimentos recentes envolvendo pré-candidatos à Presidência da República. Em poucos dias, declarações no exterior e um acordo firmado em território nacional sinalizaram uma aproximação crescente com os Estados Unidos no setor de terras raras, considerado vital para a economia e a segurança internacional.
Discurso nos EUA acende debate político
Durante evento conservador no Texas, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil pode assumir papel central na redução da dependência norte-americana em relação à China no fornecimento de minerais críticos.
Ao associar o país à disputa geopolítica, o parlamentar indicou que o território brasileiro pode se tornar estratégico nesse cenário. A fala provocou reação imediata de integrantes do governo e de parlamentares da base aliada, que criticaram o conteúdo e levantaram preocupações sobre soberania nacional e controle de recursos naturais.
Acordo em Goiás amplia aproximação institucional
Dias antes, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assinou um memorando de entendimento com os Estados Unidos para cooperação em minerais críticos.
O acordo prevê ações como pesquisa mineral, capacitação técnica, melhoria regulatória e atração de investimentos, além de integração entre governo, universidades e setor produtivo.
Segundo o governo goiano, a iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva e atrair tecnologia para o estado. O memorando, no entanto, não tem caráter vinculante e depende do cumprimento da legislação brasileira.
Governo federal vê risco de conflito institucional
O movimento gerou desconforto no Palácio do Planalto. A avaliação é que acordos dessa natureza podem ultrapassar competências estaduais, já que os recursos minerais pertencem à União, conforme a Constituição.
Integrantes do governo também apontam que o Brasil ainda estrutura uma política nacional para o setor e que iniciativas isoladas podem fragilizar essa estratégia.
Há ainda preocupação com cláusulas que envolvem compartilhamento de dados geológicos e abertura de mercado, considerados sensíveis do ponto de vista estratégico.
Por que as terras raras são estratégicas
As terras raras são essenciais para tecnologias de ponta, como carros elétricos, turbinas eólicas, chips e sistemas de defesa. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial, atrás apenas da China, o que amplia seu peso no cenário internacional.
Atualmente, os chineses dominam a cadeia global desses minerais, o que leva os Estados Unidos a buscar novos parceiros para diversificar o fornecimento.
Cenário aponta disputa e decisões estratégicas
Os episódios recentes indicam que o tema deve ganhar protagonismo no debate eleitoral de 2026. Em jogo estão modelos de desenvolvimento, política externa e controle sobre recursos estratégicos.
A discussão gira em torno de um ponto central: como transformar potencial mineral em desenvolvimento interno, sem abrir mão da autonomia sobre riquezas consideradas essenciais para o futuro econômico do país.
Fonte: Própria | Texto e Concepção de Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA | Qwen














