O nome de Luiz Teixeira da Silva Junior voltou ao centro das investigações após a revelação de que ele admitiu, em audiência judicial, não possuir diploma de medicina. O empresário já havia sido apontado como responsável por um laudo falso contra o deputado Guilherme Boulos durante as eleições municipais de 2024 em São Paulo.
Agora, ele surge como um dos principais investigados em um esquema que tentou desviar cerca de R$ 900 milhões da herança de João Carlos Di Genio, fundador do grupo educacional Objetivo/UNIP.
A confissão em juízo
Durante depoimento, Luiz Teixeira afirmou que não é médico e que buscava uma forma de obter validação para exercer a profissão sem cursar a graduação regular.
A declaração reforça suspeitas já levantadas pelas autoridades sobre o uso indevido de credenciais profissionais para dar aparência de legitimidade a documentos e atividades.
O laudo falso nas eleições de 2024
O caso ganhou notoriedade quando o empresário foi associado à produção de um laudo médico falso divulgado pelo então candidato Pablo Marçal.
O documento atribuía a Guilherme Boulos o uso de cocaína e um suposto surto psicótico.
Perícias da Polícia Técnico-Científica e do Instituto Nacional de Criminalística concluíram que:
- A assinatura do médico foi falsificada
- O profissional citado não atuava no caso
- O documento não possuía validade técnica
Na esfera cível, Marçal foi condenado a indenizar Boulos pela divulgação do material.
O novo escândalo: fraude na herança do fundador do Objetivo
A investigação mais recente, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, aponta que Luiz Teixeira integra um grupo que tentou criar uma dívida fictícia contra o espólio de João Carlos Di Genio.
O esquema incluía:
- Contratos falsificados de compra e venda de imóveis
- Assinaturas copiadas por montagem digital
- Dívida artificial, inflada de R$ 635 milhões para até R$ 845 milhões
- Uso de arbitragem simulada para validar a cobrança
A tentativa de golpe foi descoberta pela inventariante do espólio, que denunciou o caso às autoridades.
Estrutura do grupo e atuação
Segundo o Ministério Público, o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e uso de mecanismos jurídicos para dar aparência de legalidade às ações.
Luiz Teixeira aparece como sócio majoritário da empresa utilizada para sustentar o contrato fraudulento, com participação central na estrutura do esquema.
As investigações também apontam conexões que ainda estão sob análise, ampliando o alcance e a complexidade do caso.
Situação atual
A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de nove investigados. Até o momento, parte dos alvos foi localizada, enquanto outros seguem sendo procurados.
A defesa de Luiz Teixeira afirma que não há provas consistentes das acusações e nega envolvimento nos crimes investigados.
Falso médico de golpe em golpe
O caso revela um enredo em que política, dinheiro e fraude documental caminham lado a lado. De um lado, um laudo falso tentando influenciar uma eleição. Do outro, uma tentativa de desviar quase R$ 1 bilhão de uma herança. Agora, a falsidade ideológica expõe uma possível escalada na trajetória criminosa.
Fonte: Metropoles /| Texto e Concepção de Imagem: Eraldo Costa | 📷: Qwen














