IA agêntica avança nas empresas e pode afetar até 375 milhões de trabalhadores até 2030. Entenda quais funções mudarão e como cidades precisam se preparar.
A inteligência artificial agêntica deixou de ser apenas uma promessa tecnológica para se consolidar como prioridade estratégica nas empresas globais. Projeções da Gartner indicam que mais de 60% das organizações pretendem adotar soluções de IA agêntica até 2028, enquanto setores como supply chain podem movimentar mais de US$ 50 bilhões até 2030. O avanço acelera produtividade, mas também amplia debates sobre empregos, desigualdade e o preparo de cidades para uma nova lógica econômica.
O que muda no trabalho
Pesquisas da McKinsey apontam que menos de 5% das profissões podem ser totalmente automatizadas, mas cerca de 60% das ocupações já possuem ao menos um terço de suas atividades suscetíveis à automação.
Na prática, isso significa menos desaparecimento imediato de empregos e mais transformação profunda de funções.
Áreas mais vulneráveis:
- Backoffice administrativo
- Atendimento padronizado
- Operações financeiras repetitivas
- Logística e monitoramento
- Rotinas jurídicas documentais
Áreas mais resilientes:
- Saúde assistencial
- Educação
- Cuidado humano
- Manutenção técnica presencial
- Liderança e gestão
O maior risco: deslocamento ocupacional
O impacto mais sensível pode estar na transição. Estimativas globais indicam que entre 75 milhões e 375 milhões de trabalhadores poderão precisar migrar para novas categorias profissionais até 2030.
Possíveis efeitos:
- Redução de vagas de entrada
- Pressão sobre empregos júnior
- Polarização salarial
- Requalificação em massa
Como cidades e municípios podem ser afetados
Municípios com economias menos diversificadas, dependentes de funções operacionais e serviços repetitivos, podem enfrentar maior pressão social e econômica.
Desafios para governos locais:
Educação
- Formação em IA, dados e automação
- Capacitação contínua para adultos
- Parcerias com setor produtivo
Economia
- Diversificação produtiva
- Incentivo a pequenos negócios digitais
- Expansão de conectividade
Gestão pública
- Modernização de serviços com IA
- Planejamento para transição de emprego
- Políticas de proteção social
Cenário brasileiro
No Brasil, setores como call centers, logística, indústria administrativa e operações financeiras tendem a sentir mudanças mais rápidas. Por outro lado, cidades que anteciparem investimentos em educação digital, inovação, infraestrutura e governança tecnológica podem ganhar competitividade.
Ponto central
A discussão deixa de ser apenas “quantos empregos serão perdidos” e passa a ser “quais tarefas serão transformadas e quem estará preparado para essa mudança”.
Historicamente, grandes revoluções tecnológicas aumentaram produtividade, mas também ampliaram desigualdades quando políticas públicas não acompanharam a velocidade da transformação.
Resumo
Sem planejamento: desemprego estrutural, exclusão regional e aumento da desigualdade.
Com planejamento: novas cadeias econômicas, produtividade ampliada e cidades mais preparadas.
A ascensão da IA agêntica sugere que o futuro do trabalho dependerá menos da tecnologia em si e mais da capacidade de empresas, governos e sistemas educacionais de adaptar pessoas e territórios a uma economia cada vez mais automatizada.
Fonte: www.gartner.com | Texto e Concepção de Imagem: Eraldo Costa | 📷: GPT














