Ex-controlador do banco será ouvido por videoconferência nesta quinta-feira (27); investigação também apura suposta estrutura criada para influenciar redes sociais e atacar autoridades e jornalistas
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, presta depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (27), em Brasília, no âmbito das investigações que apuram suspeitas de corrupção e de atuação irregular envolvendo servidores e ex-servidores do Banco Central. A oitiva está marcada para 10h e será realizada por videoconferência, a partir da unidade onde Vorcaro está preso preventivamente.
A investigação ganhou novos contornos porque a PF também apura a existência do chamado “Projeto DV”, uma estrutura que, segundo os investigadores, teria sido utilizada para produzir conteúdos favoráveis a Vorcaro e ao Banco Master e para atacar a credibilidade do Banco Central. A apuração envolve ainda a atuação de influenciadores, jornalistas e outros operadores nas redes sociais.
Depoimento mira relação com servidores do BC
Um dos focos da oitiva desta quinta-feira será a relação de Vorcaro com Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, e Paulo Sérgio Souza, ex-diretor de Fiscalização da instituição.
Segundo a investigação, há suspeitas de que os dois tenham recebido vantagens e atuado em benefício do Banco Master, inclusive com possível compartilhamento de informações sigilosas e orientações ao banqueiro antes da liquidação da instituição pelo Banco Central, em novembro de 2025.
As suspeitas ainda são objeto de investigação e devem ser esclarecidas ao longo do inquérito.
O que é o “Projeto DV”
A PF investiga uma suposta estrutura de comunicação e influência conhecida como “Projeto DV”, atribuída ao grupo ligado a Vorcaro.
De acordo com documentos citados em decisões judiciais e reportagens, o projeto teria buscado mobilizar perfis nas redes sociais para defender o Banco Master e questionar a atuação do Banco Central.
A investigação também aponta para pagamentos a influenciadores e a produção coordenada de conteúdo. Segundo a CNN, documentos da investigação mencionam valores de até R$ 2 milhões destinados a influenciadores para atacar o Banco Central.
A expressão “milícia digital” aparece em reportagens para descrever essa estrutura investigada. O termo, porém, não significa que exista uma condenação judicial definitiva por esse crime.
Depoimento ocorre após mudanças na defesa
A oitiva desta quinta-feira será o primeiro depoimento de Vorcaro à PF com sua nova equipe de defesa. Segundo o UOL, os advogados trabalham na formulação de uma nova estratégia jurídica e avaliam uma possível proposta de colaboração premiada.
O depoimento havia sido inicialmente previsto para a semana passada, mas acabou remarcado após pedido da defesa.
Até o momento, não há confirmação de que Vorcaro tenha fechado acordo de delação premiada. Qualquer eventual colaboração dependerá de negociação com as autoridades e das etapas legais previstas.
Caso Master reúne diferentes investigações
O depoimento ocorre em meio a uma série de investigações relacionadas ao Banco Master.
A PF apura suspeitas envolvendo operações financeiras da instituição, a tentativa de negociação com o Banco de Brasília (BRB) e a atuação de agentes públicos e privados.
Também existem investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo fundos de investimento e outras instituições financeiras. Nos últimos dias, a PF apontou novas suspeitas envolvendo dirigentes do BRB e pediu mais prazo para concluir parte das apurações.
O caso também chegou ao Congresso. O Senado já realizou audiências e abriu diferentes frentes de investigação relacionadas às operações do Banco Master e à atuação de Vorcaro.
O que pode acontecer agora
O depoimento desta quinta-feira pode fornecer novos elementos para a investigação sobre a suposta relação entre Vorcaro e os ex-servidores do Banco Central.
Também será acompanhado o que o ex-banqueiro poderá dizer sobre o “Projeto DV”, os contatos com agentes públicos e a estratégia adotada pelo grupo antes e depois da liquidação do Banco Master.
Por enquanto, as acusações permanecem sob investigação e não representam condenação definitiva dos envolvidos.
O caso segue sob acompanhamento da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.
Fonte: G1 | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa













