Presidente prestes a completar 80 anos preferiu comemorar aniversário em evento privado no Jardim Sul, enquanto delegação de autoridades viajou a Los Angeles
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não estará presente na partida de estreia da seleção americana na Copa do Mundo nesta sexta-feira (12). Em vez de viajar a Los Angeles para o jogo contra o Paraguai no SoFi Stadium, o republicano permanecerá em Washington para celebrar seus 80 anos com um evento inédito na história da Casa Branca: o torneio de artes marciais mistas “UFC Freedom 250”, que acontece no próximo domingo (14) .
A ausência foi confirmada por Andrew Giuliani, CEO da força-tarefa da Copa do Mundo nos EUA. “A agenda dele está apertada”, justificou o executivo em entrevista à rádio britânica TalkSport. A expectativa, no entanto, é que Trump intensifique sua participação no torneio conforme a competição avança, com possibilidade de marcar presença na grande final, marcada para 19 de julho em Nova Jersey .
Enquanto o mandatário fica em solo washingtoniano, a comitiva americana em Los Angeles será liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, além dos titulares das pastas de Transportes, Sean Duffy, e Segurança Interna, Markwayne Mullin. O grupo deve se encontrar com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, à margem da partida .
O show de 60 milhões de dólares nos jardins presidenciais
A decisão de Trump reflete um cálculo estratégico claro. Apenas dias antes, o republicano enfrentou uma sonora vaia ao aparecer no telão do Madison Square Garden durante as finais da NBA. Na Califórnia, reduto democrata, o risco de repetir o vexame e ofuscar a estreia da seleção com manifestações de repúdio era iminente.
Na capital, o cenário é o oposto
A residência oficial foi transformada em uma arena privada. Uma estrutura metálica de quase 30 metros de altura, apelidada de “A Garra”, foi erguida no gramado sul para abrigar o octógono. O evento, orçado em 60 milhões de dólares (cerca de 308 milhões de reais), conta com 14 lutadores e capacidade para 4.300 convidados VIP, majoritariamente doadores de campanha, executivos aliados e militares .
A festa, no entanto, não ocorre sem polêmicas
Um grupo de ativistas entrou com uma ação judicial na tentativa de suspender o evento. Os autores alegam que a estrutura foi erguida sem a devida autorização do Congresso e sem a análise de impacto ambiental. Argumentam ainda que o uso do gramado para um evento privado e lucrativo configura enriquecimento ilícito do presidente e de seu aliado Dana White, presidente do UFC, que oferece pacotes VIP de até 1,5 milhão de dólares
Enquanto isso, a força-tarefa da Fifa minimiza a ausência presidencial.
Ainda que seja uma tradição que chefes de Estado prestigiem a abertura em casa — como fizeram Putin em 2018 e Dilma em 2014 —, Giuliani aposta no futuro: “Conheço o presidente Trump há 30 anos. Posso dizer: espere o inesperado”
Fonte: Própria / Concepção de texto: Eraldo Costa / Imagem: Donald Trump e Gianni Infantino • Saul Loeb/AFP














